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Livro contesta a ideia de “primitivismo musical” e propõe nova leitura sobre a música africana e afro-diaspórica

  • Foto do escritor: Fórum da Negritude da Paraíba
    Fórum da Negritude da Paraíba
  • 22 de mar.
  • 2 min de leitura

O músico, advogado e produtor cultural Pablo Honorato Nascimento lança “Pequeno Catálogo de Música Africana e Afrodiaspórica: Contra a Tese do Primitivismo Musical”, obra que propõe uma revisão crítica das narrativas históricas que classificaram determinadas expressões musicais africanas como “primitivas” ou tecnicamente inferiores.


Resultado de anos de investigação artística e reflexão teórica, o livro articula música, história e crítica cultural para questionar categorias herdadas do pensamento colonial europeu, que durante séculos influenciaram a forma como a produção musical africana e afro-diaspórica foi interpretada no Ocidente.


A publicação apresenta um panorama conceitual e comparativo de práticas musicais africanas e suas continuidades na diáspora, especialmente no Brasil, demonstrando complexidade rítmica, sofisticação estrutural e densidade estética frequentemente ignoradas por abordagens eurocêntricas.


Mais do que um ensaio acadêmico, a obra dialoga com a prática musical contemporânea. O autor, diretor da Orquestra de Música Negra da Paraíba, conecta reflexão teórica à experiência artística, defendendo que tradição não é sinônimo de atraso, mas campo dinâmico de reinvenção e potência criativa.


O livro também se insere no debate contemporâneo sobre descolonização do pensamento, propondo uma escuta crítica que reconheça a música africana como matriz civilizatória fundamental para a formação cultural das Américas.


Além de sua atuação artística à frente da Orquestra de Música Negra da Paraíba, Pablo Honorato é técnico-administrativo do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos do CCHLA/UFPB, onde desenvolve atividades vinculadas à promoção de direitos humanos, cidadania e reflexão crítica sobre desigualdades estruturais. Essa experiência institucional contribui para a perspectiva ética e política que atravessa a obra.


A obra é também fruto das atividades do Centro de Pesquisa em Cultura Negra da Paraíba, instituição dedicada à investigação, preservação e difusão de saberes afro-brasileiros e africanos. O Centro é dirigido por Tatiane Ferreira de Jesus, cuja atuação tem sido fundamental na articulação de projetos culturais e acadêmicos voltados à valorização da herança africana e da produção intelectual negra no estado da Paraíba.


Com linguagem acessível e rigor conceitual, “Pequeno Catálogo de Música Africana e Afrodiaspórica” convida leitores, músicos, pesquisadores e educadores a repensarem categorias históricas e ampliarem o horizonte de compreensão sobre o legado africano na música global.


Veja a entrevista sobre o livro na Rádio Tabajara: clique aqui.



 
 
 

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