Orquestra de Música Negra da Paraíba cria Centro de Pesquisa em Cultura Negra e nomeia direção
- Orquestra de Música Negra da Paraíba

- 24 de mar.
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A Orquestra de Música Negra da Paraíba (OMN-PB) oficializou, por meio da Portaria nº 02/2026 – DIREX OMN-PB, a criação do Centro de Pesquisa em Cultura Negra da Paraíba, órgão permanente destinado à formulação, coordenação e execução de políticas de pesquisa, formação e produção de conhecimento sobre culturas negras, afrodiaspóricas e originárias. A portaria foi assinada em 13 de fevereiro de 2026 e entrou em vigor com efeito retroativo a 1º de fevereiro.
Com a medida, o antigo Núcleo de Pesquisa em Cultura Negra da Paraíba passa a ter status de Centro, ampliando sua relevância institucional e reafirmando a missão da Orquestra de promover educação antirracista, valorização das culturas negras e fortalecimento da cidadania cultural.
A portaria nomeia Tatiane Ferreira de Jesus como Diretora do Centro e Alessandra dos Santos Silva como Vice-Diretora. Ambas serão responsáveis por coordenar atividades de pesquisa, formação, produção e difusão de conhecimento crítico no campo da cultura negra, em consonância com os objetivos estatutários da entidade.
Segundo o documento, a criação do Centro responde à necessidade de enfrentar desigualdades históricas, promover ações afirmativas e ampliar vozes e epistemologias marginalizadas. O texto destaca ainda a importância de articular saberes tradicionais com linguagens artísticas contemporâneas — como jazz, afrobeat, hip-hop, reggae e outras expressões da diáspora — para reforçar vínculos entre arte, política e cidadania.
O Diretor Executivo da OMN-PB, Pablo Honorato Nascimento, responsável pela assinatura da portaria, afirma que o Centro consolida uma estrutura permanente dedicada à pesquisa e à formação crítica:“Fortalecer institucionalmente esses espaços é garantir que a produção intelectual e cultural da comunidade negra paraibana siga sendo uma força criativa capaz de preservar tradições e reinventá-las no presente.”
Com a instalação do Centro de Pesquisa em Cultura Negra da Paraíba, a OMN-PB avança em sua agenda de promoção da diversidade cultural, da educação antirracista e da democratização do acesso ao conhecimento, estabelecendo novas bases para programas de bolsas, cursos de formação, residências artísticas e projetos de pesquisa contínua sobre matrizes afro-brasileiras e indígenas.
Tatiane Ferreira de Jesus é sanitarista, educadora popular e gestora pública com uma trajetória marcada pela formulação de políticas de saúde, defesa dos direitos humanos e promoção da multiculturalidade da negritude. Com experiência nos níveis municipal, estadual e federal, atuou em áreas estratégicas da Atenção Primária, Educação Permanente e Promoção da Saúde, além de contribuir tecnicamente para o Programa Mais Médicos. Sua vivência intercultural inclui experiências em Cabo Verde e na organização de eventos multiculturais que articularam diálogos entre Brasil e África, transformando espaços festivos em territórios de diplomacia cultural, acolhimento e reconstrução identitária. Entre saúde, cultura e educação popular, Tatiane consolidou-se como mediadora de mundos, conectando saberes, territórios e pessoas em um projeto coletivo de afirmação da negritude e de valorização das culturas afrodiaspóricas.
Alessandra dos Santos Silva, por sua vez, é mulher quilombola vinculada ao histórico Quilombo de Pedra D’Água, na zona rural de Ingá/PB — território marcado por resistência desde a Revolta do Quebra-Quilos, quando acolheu lideranças perseguidas pelas tropas imperiais. Integrante ativa de sua comunidade e guardiã de tradições, Alessandra traz para a vice-direção do Centro de Pesquisa em Cultura Negra da Paraíba a perspectiva enraizada nos saberes ancestrais, na vivência comunitária e na memória quilombola que atravessa gerações. Sua presença reafirma o compromisso institucional de reconhecer e fortalecer epistemologias originárias, valorizando a produção de conhecimento que nasce dos territórios negros e tradicionais da Paraíba.





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