Orquestra de Música Negra da Paraíba faz show histórico no Quilombo de Paratibe no 20 de Novembro
- Fórum da Negritude da Paraíba

- 20 de nov. de 2025
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João Pessoa – O Quilombo de Paratibe foi palco, no dia 20 de novembro de 2025, às 12h, de uma das apresentações mais simbólicas da trajetória recente da Orquestra de Música Negra da Paraíba. Em pleno Dia da Consciência Negra, a comunidade quilombola recebeu o grupo em um show que uniu ancestralidade, resistência e celebração, fortalecendo os vínculos entre arte, território e memória afro-brasileira.
O evento, realizado ao ar livre, reuniu moradores de diferentes gerações e contou com forte participação de lideranças locais. A presidente da Associação Comunitária, Joseane, abriu o encontro com uma fala emocionada sobre a importância da presença da Orquestra no território:“A música negra que eles trazem dialoga com a nossa história e reafirma que Paratibe existe, resiste e tem cultura. É um dia para lembrar de quem veio antes e honrar quem ainda luta por esse chão.”
Entre as presenças marcantes, destacou-se Yara América, ex-agente cultural comunitária do Museu do Patrimônio Vivo, que atuou diretamente no inventário cultural de Paratibe. A sua participação trouxe uma dimensão especial ao evento, já que Yara foi uma das responsáveis pela documentação dos saberes locais. Durante o show, ela lembrou o valor da continuidade entre pesquisa, arte e comunidade:“Ver a Orquestra aqui é sentir que o que registramos no Museu do Patrimônio Vivo pulsa, respira e se renova. Paratibe não é passado — é presente e futuro.”
Outra presença fundamental foi a de Preta, representante da Escola Municipal Antonia do Socorro, que levou estudantes e educadores para vivenciar o show como atividade pedagógica de afirmação identitária. Preta destacou o papel da educação quilombola na formação das crianças:“Nossos alunos precisam se ver na música, na história e na cultura. A Orquestra trouxe isso hoje: pertencimento. Isso forma sujeitos fortes.”
A Orquestra apresentou um repertório composto por obras autorais e arranjos inspirados em tradições de matriz africana, coco, toré, cânticos de terreiro e ritmos afroindígenas, reafirmando seu compromisso com a valorização das sonoridades negras e quilombolas da Paraíba. No encerramento, músicos e comunidade formaram uma grande roda, celebrando o 20 de Novembro como data de luta e afirmação.
Mais que um show, foi um encontro entre expressões culturais que compartilham raízes profundas. A apresentação da Orquestra no Quilombo de Paratibe reforçou que a música é também instrumento de resistência, construção de identidade e afirmação política dos povos negros do estado.





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