Orquestra de Música Negra da Paraíba inicia diálogo internacional com a University of Cape Town
- Orquestra de Música Negra da Paraíba

- 22 de mar.
- 3 min de leitura

Em 18 de fevereiro de 2026, a Orquestra de Música Negra da Paraíba deu um histórico passo em sua trajetória, ao realizar o primeiro contato institucional com o Departamento de Música Africana da University of Cape Town (UCT), na África do Sul. A reunião marca o início de uma articulação internacional que busca construir uma ponte cultural e acadêmica entre o Nordeste do Brasil e o continente africano, com foco na cooperação Sul–Sul.
Um encontro marcado pela escuta e pela construção conjunta
O diálogo foi conduzido por Pablo Honorato, diretor da Orquestra, ao lado de Tatiana Ferreira de Jesus, diretora do Centro de Pesquisa em Cultura Negra da Paraíba, e contou com o apoio de mediação linguística.
Em sua fala, Pablo destacou o caráter simbólico e estratégico da aproximação:
“Nosso principal objetivo é construir uma ponte cultural e acadêmica de longo prazo entre a Paraíba e Cape Town, articulando pesquisa, performance e colaboração artística.”
Mais do que apresentar a Orquestra, o encontro foi orientado pela escuta ativa e pela busca de convergências entre as instituições.
Música como memória, identidade e transformação
Durante a reunião, a Orquestra apresentou sua trajetória e fundamentos: um coletivo formado majoritariamente por músicos negros paraibanos, com atuação baseada na valorização da herança afro-diaspórica, na criação contemporânea e no engajamento comunitário.
A música, nesse contexto, é compreendida não apenas como expressão artística, mas como: memória cultural, afirmação identitária, ferramenta de transformação social. Também foram destacadas as conexões com comunidades quilombolas da Paraíba, que integram tanto a pesquisa quanto as ações formativas da Orquestra.
Intercâmbio internacional no horizonte
O encontro abriu caminhos para a construção de futuras parcerias institucionais, com possibilidades como: Intercâmbio acadêmico entre pesquisadores e estudantes; Performances artísticas conjuntas; Projetos colaborativos de gravação; Participação de músicos sul-africanos como convidados especiais.
A proposta é que essas iniciativas sejam desenvolvidas de forma colaborativa, respeitando os interesses de ambas as partes e fortalecendo um campo comum de pesquisa e criação.
Um momento estratégico para a Orquestra
A iniciativa ocorre em um momento de expansão institucional da Orquestra de Música Negra da Paraíba, que recentemente teve projeto aprovado em política federal de fomento cultural, prevendo a gravação de álbum autoral e circulação em comunidades quilombolas.
Ao mesmo tempo, a retomada das políticas públicas de cultura no Brasil tem criado um ambiente mais favorável para iniciativas de internacionalização e cooperação.
Um diálogo entre territórios do Sul Global
A aproximação com a University of Cape Town carrega um forte significado político e simbólico: conectar experiências negras do Brasil e da África do Sul, dois territórios marcados por histórias de resistência, desigualdade e produção cultural vibrante.
Trata-se de um movimento que ultrapassa fronteiras geográficas e institucionais, afirmando a centralidade da cultura negra na construção de novos horizontes de colaboração internacional.
Para ver a carta de interesse do Departamento de Música Africana, clique aqui.
Próximos passos
A Orquestra seguirá em diálogo com a UCT para aprofundar as possibilidades de cooperação e estruturar as bases de um intercâmbio duradouro. Este primeiro contato inaugura um novo capítulo na história da Orquestra de Música Negra da Paraíba — agora também voltado à construção de conexões globais, a partir de suas raízes locais.
A música negra da Paraíba começa, assim, a ecoar ainda mais longe.
A University of Cape Town (UCT) é uma das instituições mais importantes do continente africano, tanto do ponto de vista acadêmico quanto político e cultural.
Fundada em 1829, ela é considerada a universidade mais antiga da África do Sul e, há décadas, figura entre as mais bem avaliadas do continente.





Comentários